quarta-feira, 2 de março de 2011

probabilidades


Porque tudo no fundo é um estado de alma desço as escadas como se tivessem à minha espera. No fundo nunca há grandes surpresas, tudo é expectável. Por isso todos os dias desço os três pisos de uma cidade que não é minha mas que faz de mim sua e que apesar de não me surpreender todos os dias me encanta de maneiras diferentes.

A meia hora de meditação em que caminho de copo na mão já se tornou rotina. Chego à Igreja e acendo um cigarro, chego aos correios e deito o copo, então vazio, para o lixo, olho para as mesmas montras e cálculo que em cinco minutos chegarei ao meu destino.

E por três horas sou deles, absorvo a lingua que não é a minha mas que me tem dado mais do que a minha me dá, absorvo as palavras a que não estou habituada e constato que a parvoíce é uma verdade universal e constante.

O que muda é uma felicidade crescente por absorver um mundo novo e a tristeza, também ela crescente, de não ter condições para o fazer perto daqueles que tudo fizeram para eu estar longe.